Hoje foi um dia triste.
Minha coelha morreu nos meus braços.
Eu a tenho há 3 anos, ela era a coelha que meu ex-namorado usava pra fazer algumas mágicas. Isso já a fazia mais especial ainda. Era uma showgirl!
Fiquei com ela e cuidei. Era um bichinho diferente...
E hoje ela se foi, do nada. Estava tristinha e não comeu, sabia que algo estava errado e marquei uma consulta.
Mas tudo aconteceu muito rápido e ela simplesmente teve um ataque cardíaco no meu colo e morreu, a caminho do veterinário.
Em menos de uma hora eu já havia enterrado o corpinho fofo dela, ainda quente.
Enquanto tudo acontecia tive que me manter forte. Constantemente na minha cabeça eu ficava pensando em piadas sobre o assunto pra poder espantar a dor que eu estava prestes a sentir, já que eu precisei cuidar de tudo. Minha mãe estava se debulhando em lágrimas e não pôde fazer nada.
Logo, eu que a carreguei o tempo todo, eu que a enrolei numa toalha, cuidei do enterro, me despedi...

Foi só eu colocar o pé em casa que pude me fragilizar.
Então chorei.
Essas coisas só me fazem pensar como a vida é frágil. Ainda mais a vida de um bichinho.
Algumas pessoas podem não gostar de animais, ter alergias, não gostar da sujeira que eles fazem ou do trabalho que dão. Mas ao menos respeitam sua existência.
Eu sempre fui muito ligada a animais, sempre tive bichinhos em casa, sempre sinto pena de animais abandonados e os trato tão bem quanto trato uma pessoa.
Pra mim são seres iluminados, que não fazem guerras, não cometem crimes, não traem seus semelhantes.
Desprovidos de julgamentos, de sentimentos ruins, de maldade.
São apenas animais. Vivem seus sentimentos no instinto. Sentem dor, carinho, amor, compaixão... E tudo isso pelo que merece ser sentido, pelo que merece receber.
Eles não vêem dificuldade em serem leais, em serem amáveis.
É simples quando se vive pelo instinto.
Não preciso nem mencionar o asco que tenho por quem é capaz de machucar um animal. Não sou vegetariana, nem ativista do PETA, mas pra mim o fato de tratar mal um animal diz muito do
caráter de uma pessoa.

A Tutu (de Tuelha) viveu pouco mais de 3 anos, mas viveu feliz saltitando no meu quintal. Sofri demais tendo que deixá-la hoje, tão pouco tempo depois de eu ainda a ter nos meus braços focinhando...
Não possuo nenhuma religião, mas acredito na alma. Acredito no poder que ela tem. E acredito que animais são os seres mais providos de alma e energia.
Com certeza a alma da minha coelhinha está em paz, em algum nível de existência complexo demais pro entendimento humano.
O lugar onde todos os animais vão quando morrem.
Olha só, não sou uma garota amargurada e sem amigos ou família. Nem sou daquelas que odeia o Natal e toda a fantasia dessa época.
Eu amo o Natal, acho linda a cidade enfeitada, adoro Chocotonne e amo MESMO Chester/Peru/Tender...
Não tenho família grande, colocamos no máximo mesa pra cinco. Mas sempre sonho com a minha própria mesa de Natal, enfeitada, com meus fihos, minha família, presentes, espera ansiosa pela meia noite etc e tal. Acho a festa mais importante do ano.

Só que não é isso que vim questionar. Vim falar das hipocrisias dessa época do ano.
Alguém me explica o motivo sincero do tal ESPÍRITO DE NATAL existir única e exclusivamente nessa época de ano? Por que não existe o "Espírito de Quarta Feira de Cinzas", "Espírito do dia da Bandeira", "Espírito do Carnaval" (opa, esse não...)???
Sabe, no Natal todas as mídias se enchem daquele ar romântico familiar. Todo mundo abraça a família, dá restos de peru pro cachorro e recebe aquele tio bêbado de braços abertos.
Acontece que isso é muita hipocrisia pro meu gosto.

Durante o ano a tia fala mal da cunhada, a prima engravida e é deserdada, o vovô fala que não quer ficar perto da família dos filhos e o pai ausente continua ausente.
Durante o ano a mãe que passa por apertos financeiros recebe um não daquele irmão rico, o enteado fala que preferia não ter entrado na família, o tio bêbado é internado e esquecido.
Durante o ano ninguém nunca se encontra porque já sabe que vai ter que se aguentar no fim do ano.

E no fim do ano, se aguentam. E trocam meias de presente e se abraçam. Levam um pouco de comida enrolada no papel alumínio pra não ter que fazer almoço no dia seguinte e esquecem de ligar pra ver se aquela tia que tava com problema de coluna melhorou.
Há quem diga que o Natal é tempo pra reconciliar. Pra perdoar, pra esquecer as picuinhas, pra ver que a família e o amor estão acima de qualquer coisa. Ok, acho válido, mas por que depois esquecer? Sempre começa tudo de novo! E um ano depois, perdoam novamente. Muito "cristão" pro meu gosto.

CLARO que existem milhões de famílias que são felizes, se ajudam de verdade, se abraçam honestamente, se consolam e se apoiam. CLARO. (Se não houvessem, eu perderia a esperança de um dia ter a minha família bonita que tanto sonho.)
Mas se olhar bem de perto, todo Natal tem sua hipocrisia.

No Natal os amigos fazem "amigo oculto" e no fim o que ficou oculto mesmo foi aquele comentário de que fulana não é decente ou fulano é oportunista.

O governo se enche de amor pelas crianças carentes e dão presentes aos montes. Pra depois chamar de sujeira social e desviar dinheiro da educação. (Roubar e falar que era dinheiro pra Panetone, né?)

Aquela cena bonita do Papai Noel colocando um presente ao lado do cobertor de um mendigo no frio do Central Park...
E cadê esse Papai Noel pra ajudar quando vierem atear fogo no cara depois que o Espírito de Natal foi embora?

Pequenas ou grandes, as hipocrisias Natalinas estão chegando já.
Algumas não podemos evitar, mas ao menos prometam a si mesmos que não serão falsos, nem com vocês mesmos. Se querem perdoar alguém, perdoem de verdade. Se querem abraçar alguém, abracem de verdade. Se vão se importar, se importem. De verdade.
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Anyway! :)
Deixo a todos os leitores do meu blog meu voto de boas festas!



Incrível como situações se repetem com todo mundo.
Vejo amigas e amigos passarem por situações tão conhecidas. Algo que eu já vivi, algo que já me contaram, uma história que já li.
O engraçado é que geralmente quando entramos em uma situação dessas alguém que já viveu aquilo avisa e avisa, e nós sempre achamos que com a gente vai ser diferente. Vamos lá, damos a cara pra bater por nós mesmos e no fim tudo acontece como esperavam. E ouvimos "eu te avisei" - isso quando não somos nós que dizemos isso.
Exatamente por ter ouvido as consequências, por ter visto os sinais, ninguém pode se fazer de bobo e dizer que não imaginava que daria errado. Aliás, por que sempre achamos que com a gente não vai dar errado?
Nos sentimos mal, tudo deu errado. A gente sempre se surpreende quando as coisas acontecem como todos esperavam (menos como a gente imaginava). Aquele fiozinho de esperança é cortado com muita facilidade.
E perder a esperança é pior que perder a razão.
É pior que perder o sentido, o sentimento, o amor. Tudo isso depende da esperança, a esperança é a última que morre. Quando morre, não sobra nada. Absolutamente nada.
Vez ou outra nós caímos no buraco. Vez ou outra nos jogam no buraco. Podemos segurar nas bordas ou podemos mergulhar de cabeça. Não é porque alguém nos nocauteou que devemos aceitar ficar no chão.
Quantas vezes vocês não se viram caídos e ouviram "sai dessa, isso já aconteceu comigo"?
E quantas vezes vocês não viram um amigo chorar e falaram "eu sabia que isso ia acontecer, você é teimoso demais".

O que fica então é aquela coisa: por mais que observamos os erros dos outros, por mais que aprendemos com esses erros e com os nossos próprios erros, sempre haverá uma situação que vamos cair e teimar em achar que com a gente é diferente. Que dessa vez vai.
E pra não ficar mais uma vez nessa posição, faço como diz Maria Rita: E é pra não ter recaída, que não me deixo esquecer, que é uma pena mas você não vale a pena...
Na estante não cabe mais nada
Se amontoam os livros, bibelôs e lembranças
Na estante não cabe mais nada
Nem mesmo um retrato de quando eu era criança

Se num instante eu jogasse tudo fora
E perdesse de vez toda aquela esperança
De tirar do meu peito o que tenho agora
Um amontoado de dores e vinganças

Será que encheria a estante de novo
Com outras memórias e outros assombros
Acabaria por achá-la muito vazia
E buscaria objetos emprestados de outros

Então veria a estante abarrotada novamente
Com dores, saudades e algumas agonias
Ficaria a estante lotada pra sempre
Numa bagunça de vida que não seria mais
a minha
Tenho visto por todos os lados gente que trata outras pessoas como descartáveis.
Hoje em dia é muito fácil conhecer gente nova, ter novos amigos, ter novos relacionamentos. E isso faz muita gente 'trocar' as pessoas sem pensar duas vezes.
Achou uma falha? Tchau, tem mais gente de onde você saiu.
Eu não consigo concordar com essa conduta.
Ninguém é e nem deve se sentir descartável.

Todas as pessoas são importantes pra alguma coisa na nossa vida, por mais rápido que elas tenham passado, por menos que elas tenham feito, pelo pouco que elas possam ter participado.
Machucar alguém te machuca também. Você pode não notar agora, mas uma hora vai procurar aquela parte dentro de você e perceber que ao deixar alguém, você deixou um pouco de si mesmo.

Pessoas não são descartáveis, ninguém é capaz de preencher o lugar de outra pessoa totalmente.
Os gostos, os jeitos, as palavras podem até soar da mesma forma. Outra pessoa pode parecer mais divertida, mais colorida, mais inteligente. Mas ninguém preenche os mesmos espaços, nunca.
Eu sei que já fui importante pra muita gente, alguns ainda devem lembrar disso, outros nem tanto. Mas não aceito saber que fui descartável da mesma forma que ninguém na minha vida foi substituível.
Ao perder um amigo sentimos raiva, sentimos dor, sentimos que foi bom nos afastar de algumas pessoas.
Podemos construir nossa vida longe, podemos não ter mais assunto nem mais interesse por aquelas que um dia foram importantes. Mas ninguém nunca estará no mesmo lugar, da mesma forma, do mesmo jeito.

Não digo que devemos ser condescendentes com todo mundo que passa na nossa vida. Não digo que devemos correr atrás do nosso passado ou sentir falta. Ou até mesmo que nunca seremos felizes como um dia já fomos.
Apenas digo que devemos aprender a dar às pessoas sua devida importância. Não sejamos hipócritas, não faça com alguém o que você não aguentaria sentir na sua pele.

Nós mudamos e consequentemente mudamos nosso ambiente, as pessoas à nossa volta, nossos interesses. Nós passamos a perceber outras coisas, a sentir outras coisas, a querer outras coisas. Coisas e coisas, nada passa da superfície. Mas isso faz sempre alguém que estava ali, ficar pra trás. E quando nós deixamos alguém pra trás podemos nem perceber, até nos deixarem pra trás também. Certos laços nunca são reestabelecidos, certos caminhos nunca mais se cruzam.

Um amor que já não é mais seu, uma admiração que não é mais pra você. Um amigo que não te chama mais pra sair. Um parente que foi embora. Uma declaração que não foi dita aos seus olhos. Uma dedicatória que não foi no seu nome. Uma oportunidade que não deram pra você. Uma vez que você não foi lembrado.
Ninguém é e nem deve se sentir descartável.

"Cada um de nós compõe a sua história cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz..."


Você também é uma daquelas pessoas que tem mil histórias paralelas na vida? Na verdade não consigo imaginar alguém que não tenha. Todos temos mundos "azeite e água". Mundos que não se misturam por mais que nós forçamos.

Aquela minha turma do primeiro colégio que estudei e ainda me manda emails me chamando de "Mary" não tem nada a ver com o amigo que anda de bike comigo e a amigona estilista que fiz no colégio onde me formei.
Ela, por outro lado, fez amizade com aquele pessoal que frequentava bares de rock comigo. Mas não tem relação alguma com os outros que me levam pra barzinhos quase todo final de semana e fazem piadas envolvendo chineses e merendeiras.
Esses que vão pro bar nunca ouviram falar daqueles que acamparam em Serra Negra por quase 10 anos e me conhecem pelo nome de "Sabrina". E os que acamparam comigo não sabem nem a cara do meu amigo que me acompanhou pelo Brasil esse mês e eu chamo de megalomaníaco a cada 2 segundos.
Esse amigo conheceu uma ruiva de Natal que me conhece por causa de um fórum da internet, mas também não conheceu os outros amigos do fórum que estão em Porto Alegre.
Os do fórum lá em Porto Alegre não são tão amigos assim do gaúcho que eu visitei na mesma cidade em 2005 e hoje mora na Irlanda. E esse de 2005 quando veio pra São Paulo nem teve contato com minha prima doida.
Minha prima nunca esteve num churrasco com meus colegas de trabalho no Stand-Up Comedy, e o pessoal que faz Stand-Up nunca esteve no mesmo palco que o pessoal que fez Teatro Musical comigo.
O elenco do Teatro Musical me viu dançar por 4 meses mas nunca fizeram par com o pessoal da dança de salão que me usava de cobaia pra todos os passos. E até na mesma academia que eu fazia dança de salão meu par fixo não conversava com meu amigo da musculação.
Esse amigo da musculação passava na frente do meu cursinho, mas não fazia idéia dos grupos dos estudos que eu tinha lá dentro. E foram vários grupos diferentes que também não se conheceram! Mas todos esses alunos conheceram os professores só que não saíam pra beber com eles quando eu ia. E os professores que iam beber comigo não beberam com o pessoal do bar onde fui gerente...

São milhares de pessoas, centenas de conhecidos e dezenas de amigos. Alguns já ouviram falar de outros, outros não fazem idéia que eu conheço fulano de tal.
Cada grupo tem suas histórias, suas piadas internas, suas gírias, seus lugares pra ir.
E cada turma me vê de um jeito, numa nuance diferente. Cada um me dá uma importância diferente.
Em cada lugar tive uma história diferente, uma trajetória diferente. Passei horas a mais ou a menos falando da vida, ajudei mais ou ajudei menos, ouvi mais ou ouvi menos.
São azeite e água, não se misturam, são diferentes. Um gosta de rock, outro de reggae, um gosta de praia e outro gosta de neve.
Ter tantas histórias é o que faz nossa vida ter sentido, ter graça, ter cor.
Podemos mudar sem ter que mudar. Podemos ser diferentes sem deixar de ser nós mesmos.
Todos vivemos muitas histórias paralelas. Quantas histórias você tem?

Você já deixou a vida te levar pela inércia?
Alguma vez na sua vida você se pegou "deixando levar com a maré"?
Acontece e é natural que aconteça. Certas vezes deixamos a vida no piloto automático mesmo. Deixamos o destino carregar nossos caminhos pra onde quiser, deixamos o universo tomar nossas decisões, escolher nossas atitudes, redigir nossas palavras.
Às vezes fazemos isso num relacionamento, às vezes numa carreira.
E mais do que natural que aconteça é o fato de que uma hora nos damos conta disso. Percebemos que estávamos no automático e então bate um certo desespero.
Ficamos pensando "como cheguei aqui?", "o que me trouxe aqui?"...
Isso acontece a qualquer momento. Simplesmente nos damos conta.
E quando isso acontece fazemos a inevitável pergunta "QUEM SOU EU?". Você sabe quem é você?

Você lembra de todos os amigos que fez na vida? Até dos que pararam de te ligar?
Você se lembra das músicas que te faziam sonhar há 5 ou 6 anos atrás?
E o perfume que você usava? E a sua cor favorita?
São detalhes. Minúsculos detalhes que às vezes esquecemos. Mas o fato de os esquecer não faz que eles deixem de te pertencer.
Apenas esquecemos.
Então lemos cartas, abrimos álbuns de fotos e cadernos. Ouvimos músicas e reassistimos filmes.
E lembramos quem fomos, quem somos, quem deixamos ou não de ser.
Lembramos das decisões que já tomamos, das palavras que dissemos. Das conquistas e dos fracassos.
Foi só um alzheimer temporário, nada disso sumiu, estava e sempre estará ali com você na sua alma.

Nós temos uma personalidade mutável. Todos temos. Mas nosso caráter nunca muda. Nossa essência, o que nos faz amar, sorrir e sonhar.
Quando estamos no automático nossa alma nos guia sozinha. Deixamos de notar o que fazemos e quem somos mas no fundo está tudo ainda ali.
O que nos faz querer o bem e a paz. O que nos une em festas e abraços. O que nos faz aceitar diferenças, entender falhas, querer felicidade.
Detalhes como músicas, cores, cheiros são apenas detalhes. A alma de uma pessoa é muito mais que isso. Ela abriga desejos, agrados, saudades.
A alma que abraça um parente e encoraja uma pessoa amedrontada. A alma que sorri pra um estranho e ilumina o dia. A alma que abre a porta do carro, dá lugar no ônibus, ajuda a carregar uma mala. Ela aquece, entende e ajuda. Ela também pede e aceita falhas.

Podemos esquecer nossos gostos e nossas ambições por alguns instantes. Podemos cair em inércia e deixar a vida nos carregar até mesmo pra onde não queremos ir. Podemos nos perder nesse rio enorme mas sempre - te prometo - sempre podemos parar, respirar e lembrar da nossa alma. Aquela que sempre está em nós, sempre nos ajuda, e apenas deixamos de perceber sem querer por um instantinho.